Eliseu condena "sediciosos". Macron manda proibir protestos "ilegítimos"

Eliseu condena "sediciosos". Macron manda proibir protestos "ilegítimos"

A declaração do chefe de Estado francês seguiu-se a uma reunião com responsáveis dos serviços de informações e ministros.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
"Tivemos, simultaneamente, atos políticos e até sediciosos" | Benoit Tessier - Reuters

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta quinta-feira a proibição, nos próximos dias, de ações de protesto avaliadas como “ilegítimas”. Para manifestações organizadas por organizações sindicais vão ser definidos trajetos alternativos. O objetivo, segundo o Eliseu, é proteger os estabelecimentos comerciais.

Numa breve alocução, à qual dedicou pouco de mais de três minutos, o chefe de Estado francês apontou o dedo a grupos de “ultraesquerda” com intenções ditas “sediciosas”, que as autoridades acreditam estar na base dos desacatos e pilhagens ocorridos no último sábado em diferentes cidades francesas.

Macron denunciou, em concreto, o que descreveu como “atos sediciosos” por parte de grupos de “ultraesquerda de extrema perigosidade”, acusando-os mesmo de pretender “derrubar a República”.
“Tivemos, simultaneamente, atos políticos e até sediciosos, conduzidos por grupos organizados de ultraesquerda que visam derrubar a República”, acusou o presidente francês, na esteira de uma reunião, no Palácio do Eliseu, com todos os serviços de informações — estas estruturas têm sido amplamente reprovadas por não terem previsto a dimensão dos movimentos de protesto do último fim de semana.

A menos de 48 horas de nova mobilização em França, o Governo procura assim atenuar a pressão acentuada pelo cenário de confrontos urbanos de 17 de outubro. “Firmeza” é a palavra mais ouvida nos corredores do poder em Paris.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, instou mesmo os partidos a fazerem uma escolha “entre a violência e a República”, isolando nas críticas o partido de extrema-esquerda A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon.Lecornu convocou os partidos, prometendo “transparência” sobre as “dificuldades encontradas” na resposta aos acontecimentos de sábado.

Face a um balanço de pilhagens e estragos em cerca de três mil lojas, no passado fim de semana, os comerciantes temem o que possa suceder no sábado.

 “A preocupação é máxima”, resumiu Pierre Bosche, presidente da Confederação dos Comerciantes de França, em declarações à agência France-Presse.
“A mão não deve tremer”
As autoridades prometem desde já um dispositivo policial em larga escala para o próximo sábado, com recurso a veículos blindados e a várias unidades de elite, designadamente GIGN, BRI e RAID.
Rosário Salgueiro, Paulo Domingos Lourenço - RTP, Paris

Nas palavras de Macron, “a mão não deve tremer no topo do Estado”.
 
O recolher obrigatório volto a ser imposto na noite de quarta-feira em diferentes cidades, tendo já sido detidas pelo menos 174 pessoas.

c/ agências
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